50 Tons de Sociopata: Identificando Manipuladores, Mentirosos e Abusadores

Eu acredito fortemente no direito que cada um tem de ler o que quiser e assistir o que quiser. Com essa liberdade, eu também acredito na liberdade de expressão.

Por exemplo, eu estava querendo ver O Jogo da Imitação esse fim de semana, mas não vou poder porque 50 Tons de Cinza está invadindo todas as salas de exibição para o lançamento no Valentine’s Day (Dia dos Namorados americano e inglês). Então, agora que eu sei que eu vou passar o fim de semana alimentando o meu gato, eu achei que seria um momento ideal para me expressar um pouco.

Eu realmente não pretendo gastar o espaço desse artigo insultando a franquia. Mas vou aproveitar toda a euforia causada por ela para tentar difundir um pouco de conhecimento sobre sociopatas, narcisistas e psicopatas.

Você sabia que psicopatas representam 4% da população geral (uma em cada 25 pessoas), e narcisitas patológicos ainda mais, 6% (quase uma em cada 17 pessoas)?

Essas pessoas, ao contrário do que se acredita e se imagina, não são geralmente serial killers ou tiranos genocidas. São, muito mais corriqueiramente, essas pessoas que agora estão sendo glorificadas no Valentine’s Day. Predadores controladores e manipuladores que buscam incitar pena, disfarçados de amantes excitantes e passionais.

O problema com 50 Tons de Cinza é que o filme (ou livro) não consegue entender o personagem que está tentando retratar. Ok, ele retrata o sociopata charmoso e super sexy. Sexual, selvagem, excitante. Charmoso e sedutor no começo, ele foca toda a atenção dele em você. Como se não existisse ninguém mais no mundo.

Até aí, o retrato é bem acurado. A coisa sempre começa com a idealização.

Então, a máscara começa a cair. Ele é controlador, ameaçador, e meio assustador. Você está constantemente à beira do precipício com ele, e nunca sabe o que está acontecendo. Toda a sua vida começa a girar ao redor dele, e lentamente, mas certamente, você começa a perder o seu sentido próprio, de quem você é.

Certo, ainda é acurado. Com sociopatas, a idealização sempre chega ao fim.

Em seguida, somos apresentados(as) ao passado do abusador: o que acontece é que ele teve uma infância trágica, o que explica todo o comportamento inaceitável mencionado acima! Por sorte, nossa vítima tem um super-poder: ela tem o poder de curar sociopatia!

Oi?

Sim, correto. Aparentemente, sociopatas vêm de um passado abusivo, mas eles podem ser curados com a(o) parceira(o) amorosa(o) certa(o), que os compreende. Um tipo de romance fumegante e tortuoso. A sociedade só torce o nariz porque é muito conservadora e não enxerga para além do jeito convencional de ser. A sociedade nunca poderia entender os sobreviventes de abuso infantil e suas necessidades sexuais.

Eeeeeeee #sqn!!! (SÓ QUE NÃO!)

A questão não está no que diz respeito ao BDSM (bondage, dominância e sadomasoquismo) retratado. A questão aqui é manipulação, coerção e abuso. O filme (ou livro) mistura as duas coisas como se fossem uma só, e nada poderia ser mais diferente. BDSM é um conjunto de práticas sexuais. Práticas que aliás, envolvem o pleno consentimento de ambas as partes, mentalmente saudáveis e independentes entre si. Manipulação, coerção e abuso? São um indicativo de um grave e incurável distúrbio de personalidade. Essas características não são algo que você possa “consertar”. Não são uma “preferência sexual”. São algo que os sociopatas usam para fazer você achar que pode “consertá-los” (ou mudá-los, ou curá-los).

Sociopatas amam pena. Eles usam pena constantemente. Eles usam para justificar o abuso deles, fazendo você ter pena deles em vez de você pensar nos seus próprios limites e direitos. Eles são mentirosos patológicos que dirão tudo e qualquer coisa para te convencer que o comportamento tóxico deles é bom para você. Assim como parasitas, o objetivo deles é fazer o que for preciso para manter você como fonte de fornecimento.

Essa é uma das táticas mais comuns de um predador psicopata. “Você é a única pessoa no mundo que me entende”, “Eu nunca senti o que eu sinto com você na minha vida”. O resto do mundo o decepcionou, mas você… Você é a pessoa certa. Você é a exceção.

É por isso que eu odeio 50 Tons de Cinza. Não por causa do sexo explícito e da sacanagem. Mas porque ele perpetua essa mentira deslavada de que pessoas abusivas podem mudar e ser curadas pela pessoa certa. Que podem ser curadas com amor. Essa ideia de que relacionamentos sociopáticos são sexy, quando na realidade eles destroem por completo cada caquinho do seu auto-valor.

Você não pode consertar um sociopata. Eles não têm consciência. Eles não podem desenvolver uma consciência. Eles não são secretamente inseguros e trágicos. Eles entendem perfeitamente a natureza humana e como controlá-la. Eles manipulam ativamente a sua percepção para que isso se torne um ponto de vaidade para você, para que você se orgulhe de ser “a pessoa certa” que vai consertá-los.

Esse tipo de coisa pode te fazer se sentir bem no começo. Fica até viciante. E é esse o objetivo. Psicopatas sabem como fabricar desejo e desespero intensos. Assim como a saga Crepúsculo, que “ensina” adolescentes que triângulos amorosos são sexy. Mas esses atalhos tóxicos para o “amor” não são realmente amor para o abusador. São uma forma de assegurar poder sobre os outros.

Então, nesse Valentine’s Day, quaisquer que sejam as suas fantasias sexuais, eu gostaria de mencionar algumas qualidades que são encontradas em qualquer tipo de amor genuíno e saudável:

  • Respeito
  • Honestidade
  • Empatia
  • Abertura
  • Confiança

Encontre alguém que possa sentir as mesmas coisas que você, não alguém que usa essas qualidades para te explorar.

Ou tente passar a noite alimentando o seu gato!

Está em dúvida se você conhece um(a) psicopata? Faça esse teste rápido de 13 questões. Você pode se surpreender com os resultados.

– texto original de Peace, traduzido por LDP

FOTO:
Evan Kirby

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *